CAMADA POROSA DE ATRITO (CPA)
Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ). Leganda: Rod. Presidente Dutra -Guarulhos - SP
Aeroporto Santos Dumont - RJ

O desenvolvimento da indústria automobilística levou, sem dúvida, a um aumento na velocidade média desenvolvida pelos veículos de passeio e, notavelmente, pelos veículos de carga. Este ganho de desempenho deu-se num momento em que boa parte da malha viária já estava implantada, obedecendo a conceitos geométricos por vezes incompatíveis com as características apresentadas pelos veículos modernos.
A frota nacional também sofreu um grande incremento levando a um aumento considerável do volume de tráfego em nossas rodovias e vias urbanas. Todos estes condicionantes, entre outros, levaram o Brasil a ocupar posição de destaque no cenário internacional, no que compete às estatísticas de acidentes.

Por sua tropicalidade, diversas regiões de nosso País estão expostas a ocorrências constantes de chuvas, o que vem contribuir também, para que ocorram acidentes uma vez que as condições de aderência nessas condições pioram sobremaneira.

Na medida em que intervenções no pavimento possam minimizar os efeitos das condições climáticas e possam ainda, manter os níveis de aderência entre os pneus e a pista em condições diferenciadas também em tempo seco, contribui-se certamente, para que diminuam as ocorrências de trânsito e, complementarmente, diminui a gravidade daquelas que não pode evitar.

Desde o início da década passada, vem sendo difundida a execução a execução de camadas porosas em capas de rolamento asfáltico, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, com o objetivo de melhorar as condições de segurança de tráfego em pistas de aeroportos, pavimentação rodoviária e urbana.

Em revestimentos impermeáveis a película de água reduz a superfície de contato, pneu/pavimento diminuindo a aderência (aquaplanagem). Além disso, o spray produzido pelos veículos projeta uma cortina de água que reduz a visibilidade principalmente, à noite refletindo a luz sobre o pavimento aumentando os riscos de acidentes rodoviários.

A utilização de camadas de macrotextura aberta nas capas de rolamento significa aproveitar sua elevada capacidade de drenagem através de uma estrutura com alto índice de vazios (18-25%), garantindo em conjunto as inclinações transversais e longitudinais do perfil da estrada, uma drenagem vertical e horizontal das águas pluviais.

Pista molhada com revestimento asfáltico convencional. Pista molhada com revestimento asfáltico modificado com polímero.
Pista molhada com revestimento asfáltico convencional.
Pista molhada com revestimento asfáltico modificado com polímero.

Listamos a seguir os principais benefícios relacionados a melhoria das condições de segurança para os usuários destas misturas drenantes em relação a misturas densas convencionais:

  • Redução dos riscos de aquaplanagem;
  • Redução das distâncias de frenagem sob chuva;
  • Aumento de distância de visibilidade e diminuição de projeto da cortina de água (spray);
  • Menor reflexão luminosa do pavimento ,olhado, tanto de dia como sob iluminação noturna;
  • Maior percepção de sinalização vertical durante a noite;
  • Redução dos níveis de "stress" do usuário.

Outro aspecto a ressaltar é a redução dos níveis dos ruídos do tráfego. Durante o deslocamento de um veículo, cada pneu empurra a sua frente uma bolsa de ar, que precisa ser afastada, provocando ruídos típicos. A alta porosidade das CPA's absorve grande parte de ar destas bolsas, diminuindo os ruídos constantes do tráfego até níveis de 6dB (A), protegendo o meio ambiente. Em outras palavras, isto equivale reduzir pela metade a velocidade do veículo ou alternativamente instalar uma barreira acústica de 2,5 metros.

A redução do custo de conservação em função da diminuição das manutenções periódicas, custos decorrentes dos acidentes e do período de interrupção da rodovia ao tráfego também deverão ser levados em consideração na análise técnico-econômica do investimento.

A experiência brasileira na execução de CPA utilizando asfaltos modificados com SBS teve início em 1992 com a implantação de um trecho experimental na Rodovia dos Bandeirantes em São Paulo, sob monitoramento do Dersa e relatada nos anais do 11º Encontro do Asfalto - RJ, 1992.

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